quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Parabéns CERCIAV

Aveiro: CERCIAV assinala 33.º aniversário com casa nova Hoje, a CERCIAV - Cooperativa para a Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados de Aveiro vive um dia de festa, com os mais de 300 utentes a celebrar o 33.º aniversário da instituição. Há 33 anos que existe em Aveiro uma estrutura inteiramente dedicada à educação e formação de cidadãos portadores de deficiência. Um longo caminho de lutas e vitórias, em nome da promoção destas pessoas. “Actualmente seguimos uma filosofia de actuação muito em prol da promoção do ser pessoa. Temos que olhar para os nossos formandos e trabalhadores ocupacionais com a dignidade que merecem, tal qual um cidadão, com os mesmos direitos e deveres”, comentou Fernando Vieira, há 12 anos à frente da direcção da CERCIAV - Cooperativa para a Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados de Aveiro, embora esteja ligado à instituição desde o seu surgimento. Ao celebrar 25 anos de vida, esta instituição “sofreu” uma alteração profunda na forma de acompanhar os seus alunos, que passaram a frequentar a escola no regime normal. “Foram para a escola, como qualquer criança, para aprender, descobrir, fazer amizades, no fundo, crescerem como pessoas”, diz Fernando Vieira, defendendo que este “é o melhor caminho a seguir, se quisermos uma escola e uma sociedade inclusiva, onde a diferença se esbata”. Estas crianças e jovens frequentam a escola pública e contam com o apoio de técnicos da CERCIAV que se deslocam aos estabelecimentos de ensino para prestar apoio ao nível da psicologia, terapia da fala, serviço social e psicomotricidade. A propósito, Fernando Vieira recorda a Declaração de Salamanca, que demanda que todos os governos “atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais” Após os 15 anos de idade, os alunos que tiverem mais capacidades entram na formação profissional adaptada, no Centro de Reabilitação Profissional na Gafanha da Nazaré. Quanto às pessoas com deficiência mental profunda e multideficiência, integram o Centro de Actividades Ocupacionais (também na Gafanha da Nazaré), onde é promovida a autonomia básica. E é neste ponto que Fernando Valente destaca a “maior vitória conseguida ao longo dos 33 anos de vida da instituição: “a promoção da cidadania de pessoas com deficiência grave e profunda”. Foi junto desta população tão especial, que este responsável acredita que se deu um “passo de gigante”, criticando a tendência que há de se infantilizar estas pessoas. “Passámos a valorizar os seus sonhos e as suas potencialidades, por pequeninas que sejam, e o resultado está à vista: dos 98 trabalhadores ocupacionais que temos, 30 estão lá fora a fazer diferentes tarefas, integrados no meio normal de trabalho e a concretizar a sua verdadeira cidadania”. A propósito, deu um exemplo. “Um dia, uma utente disse que tinha um sonho: ser enfermeira. A reacção normal seria desvalorizar, até porque seria impossível de concretizar. Mas, perguntámos-lhe o que era, para ela, ser enfermeira, ao que respondeu: é ter uma bata branca, estar num sítio com doentes e ajudar. Há vários anos que está a ‘trabalhar’ no Centro de Saúde de Oliveira de Frades e sente-se uma verdadeira enfermeira”, relata. Quanto ao futuro, há dois sonhos por realizar. Uma Unidade Residencial, “até porque todos nós queremos, um dia, sair de casa e tornarmo-nos autónomos”, e um terceiro Centro de Actividades Ocupacionais. Um projecto que Fernando Vieira classifica de urgente, sob pena de “dentro de anos não termos capacidade de resposta para quem nos procura”. Novo Centro de Recursos para a Inclusão A festa que hoje junta utentes, técnicos e funcionários, vai ficar marcada pela entrega de medalhas a quem tem 30 anos de casa e um galardão àqueles que ali estão há 25. Uma forma de dar alguma solenidade ao momento, também de promover o espírito familiar que a direcção se esforça por fomentar. Na segunda-feira será inaugurada a nova sede da CERCIAV, em São Bernardo. Um espaço que substitui a antiga sede ao lado do Hospital de Aveiro e que vai funcionar também como Centro de Recursos para a Inclusão. Depois de vários anos de espera e de locais que não vingaram, a CERCI passa a dispor de um espaço aberto a todos os professores que procurem informação específica. Livros, ludoteca, computadores com programas educativos podem agora ser consultados neste Centro, que também pode vir a promover acções de formação. Sandra Simões (Diário de Aveiro 14 de Novembro 2008)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais uma etapa...

Já há algum tempo que não actualizava o blog. Fiz uma "pausa" para evitar que o excesso de preocupações relacionadas com o ensino continuassem a reduzir, de forma tão significativa, a minha dedicação a outras coisas importantes. Mas é claro que me mantive informada... Embora me tenha custado, optei por não ir à manifestação do dia 8, pois tive de entregar a dissertação de mestrado ontem. Bem sei que podia ter organizado o trabalho de forma a poder dispensar um dia. Mas a verdade é que não consigo digerir todas estas mudanças e isso tem prejudicado imenso o meu trabalho, tal já tinha acontecido noutras fases difíceis (Fevereiro/Março). O motivo que me levou a inscrever-me no mestrado foi UNICAMENTE a possibilidade de encontrar alternativas profissionais ao ensino. Felizmente valeu bem a pena frequentar o mestrado, gostei do tema do meu trabalho e tive (tenho) dois orientadores muito bons. Não estou colocada porque considero um erro continuar a insistir em apostar (apenas) na carreira de professor (pena é que esta decisão tenha vindo depois de tanto investimento...). Foi uma decisão reflectida e assumida, mas não foi tomada de ânimo leve e ainda não é "pacífica" para mim, pois não me enganei quando decidi ser professora... Apesar de pensar seriamente em abandonar a profissão, com muita pena e até saudade, tenho conhecimento do que está a acontecer. Como a educação é algo muito importante, não pretendo de forma alguma "retirar-me" de cena. Curiosamente, a palavra "colega" tornou-se especial nos últimos tempos. Obrigada COLEGAS! Dia 15 lá estarei.