terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais uma etapa...

Já há algum tempo que não actualizava o blog. Fiz uma "pausa" para evitar que o excesso de preocupações relacionadas com o ensino continuassem a reduzir, de forma tão significativa, a minha dedicação a outras coisas importantes. Mas é claro que me mantive informada... Embora me tenha custado, optei por não ir à manifestação do dia 8, pois tive de entregar a dissertação de mestrado ontem. Bem sei que podia ter organizado o trabalho de forma a poder dispensar um dia. Mas a verdade é que não consigo digerir todas estas mudanças e isso tem prejudicado imenso o meu trabalho, tal já tinha acontecido noutras fases difíceis (Fevereiro/Março). O motivo que me levou a inscrever-me no mestrado foi UNICAMENTE a possibilidade de encontrar alternativas profissionais ao ensino. Felizmente valeu bem a pena frequentar o mestrado, gostei do tema do meu trabalho e tive (tenho) dois orientadores muito bons. Não estou colocada porque considero um erro continuar a insistir em apostar (apenas) na carreira de professor (pena é que esta decisão tenha vindo depois de tanto investimento...). Foi uma decisão reflectida e assumida, mas não foi tomada de ânimo leve e ainda não é "pacífica" para mim, pois não me enganei quando decidi ser professora... Apesar de pensar seriamente em abandonar a profissão, com muita pena e até saudade, tenho conhecimento do que está a acontecer. Como a educação é algo muito importante, não pretendo de forma alguma "retirar-me" de cena. Curiosamente, a palavra "colega" tornou-se especial nos últimos tempos. Obrigada COLEGAS! Dia 15 lá estarei.

domingo, 19 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Manifestações graduais?

Discute-se no blog A Educação do Meu Umbigo, O Umbigo, como deve ser pensada a luta dos professores. http://educar.wordpress.com/2008/10/09/15-de-novembro/ Tudo a Lisboa no dia 15 de Setembro? Luta de forma mais gradual? Manifestações descentralizadas, esclarecimentos (informação do que realmente se passa) aos pais, divulgações através de diversos meios, concentração de esforços... Gosto da ideia! A desorientação e o desânimo são grandes, mas não podemos deitar tudo a perder. É preciso pensar no que deve ser feito, como o concretizar, ponderar primeiro os prós e os contra. Penso que uma manifestação geral neste momento traria poucos benefícios e poderia enfraquecer-nos (desânimo por uma eventual participação diminuta e sentimento de derrota) É preciso informar, divulgar, resistir, minar, levantar a cabeça e avançar com determinação e em conjunto. Enquanto nos preparamos para uma batalha mais forte, vamos desmascarando a falsidade do quadro que tem sido pintado pelo ME (e não só) em torno da Educação.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Uma história como tantas/poucas outras

Se considerar apenas a questão das dificuldades e dos sofrimentos, é uma história como muitas outras, mas a força, a coragem e a dedicação tornam-na singular. Não posso ignorar, não posso voltar costas... Posso optar por "abandonar" a profissão e escolher outro rumo profissional, já o fiz, mas não deixo de ser professora (mesmo que não dê aulas) e não posso fingir que não vi o que estava a acontecer. Os nossos alunos merecem muito mais e os professores podem e querem dar mais e melhor. Para a colega, um abraço solidário e um agradecimento por ser sinal de esperança! Paula Martins
 
Esta é uma das reportagens «Professores que sofrem» do PortugalDiário. Para ter acesso a esta e outras histórias: http://diario.iol.pt/sociedade/professores-reportagem-sofrimento-cancro-educacao/996191-4071.html Num ápice, o que dava prazer transforma-se numa espécie de fobia. Esta é a história de uma professora, investigadora, mestre em Ciências Musicais, com curso de Musicoterapia, especializada em Educação Especial que deixou de acreditar na escola, pelo menos naquela onde tentava leccionar. Desenvolveu uma enorme aversão, teve acompanhamento psiquiátrico e agora está afastada da actividade devido a um cancro. Margarida Azevedo adora(va) a sua profissão e sente-se «frustrada» por não poder exercê-la condignamente. «Um dia, simplesmente deixei de ir trabalhar. Fui falar com um psiquiatra, disse-lhe que me recusava a aparecer naquela escola sentia com fobia e o mais provável era abandonar o ensino. Porque, não estudei a vida toda, nem me dediquei a vida toda a estas coisas para chegar a este ponto». Sente-se o peso da decisão: «Passado um mês e meio tentei voltar, mas voltei para casa... Ao telefone, com o psiquiatra, um querido amigo, chorava, porque não conseguia lá estar». A medicação para a depressão foi a solução imediata, mas que não podia antever o que ainda estava para acontecer. «Em 2006/07, leccionava em nove turmas diferentes, cerca de duzentos alunos, para além de ser directora de turma e dar aulas de substituição. Nesse ano passei para a Educação Especial - já que precisavam de professor de apoio educativo e eu tinha experiência desde 1997 - mas ainda foi pior dada a incompetência e práticas na escola», conta. Um ano depois, leccionando Educação Musical a crianças do 5º e 6º ano, mantinha oito turmas, mais três com áreas de projecto, em 4 níveis diferentes. Depois de ter trabalhado vários anos em Educação Especial, não conseguiu destacamento por erro da aplicação informática da DREC («que infelizmente não detectei tendo acreditado que não poderia ser destacada já que o meu grupo é Ed. Musical») e acabou por ser colocada na Escola EB 2/3 de Vila Nova de Poiares. Para quem vivia em Coimbra, era uma tormenta percorrer aqueles quase 90km de curvas (ida e volta), para depois encontrar um pesadelo. «Sou forte e profissional, mas por causa da forma como me trataram, transformei-me numa pessoa frustrada. Com os alunos senti-me sempre bem, o resto é que não funcionava, pois havia muita gente sem competência», recordou, contando que chegou a ter de «tentar corrigir e evitar colaborar em erros gravíssimos». Em duas horas, tudo mudou Sem o enquadramento necessário na escola, a sentir-se recuperada Margarida candidatou-se a uma bolsa da Gulbenkian, a um projecto de investigação: dois meses para estudar e contribuir para a implementação da Educação Especial em Timor, com a colaboração do governo local. Às 16h do dia 16 de Maio, a vida parecia tomar novo rumo, pois a bolsa tinha sido aprovada. Projectos feitos, ideias de Doutoramento, hipóteses de realização na sua área profissional, «podendo efectivamente ajudar pessoas, crianças». Duas horas depois, porém, uma visita à sua médica para conhecer os resultados de uma biópsia, ditariam um outro destino: cancro na mama. Volvidos oitos dias já estava a fazer uma mastectomia e os objectivos passavam a ser a reconstituição total e, no limite, a sobrevivência. Não há certezas científicas, mas «o stress é apontado como uma das origens possíveis do cancro». Margarida tenta esquecer o passado enquanto vai recuperando. Pediu destacamento por doença para Coimbra, que não lhe foi concedido, e entretanto cumpre baixa médica. «No próximo ano, há concursos. Concorrerei para a Educação Especial», assegura. Hoje em dia tenta encontrar a força na luta dos outros, ajudando colegas, denunciando outros casos e deixando o alerta: «Não de deixem matar nem desgastar em limites preocupantes. O defeito não está em nós, mas no sistema». A chama mantém-se viva num dos blogues de educação mais activos a nível nacional, A Sinistra Ministra.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Falta de apoios a alunos NEE - dramático

O título é bem realista. Há muitas situações verdadeiramente dramáticas e vergonhosas de alunos com necessidades educativas especiais. Mais grave ainda se torna quando se trata de crianças ou jovens com deficiências mais acentuadas. Não posso imaginar como se sentem os pais... Mas também não posso calar! Não são casos isolados e não são desconhecidos das DRE, da DGRHE nem do Ministério da Educação. "Decretou-se" que a escola inclusiva consiste em "mandar" todos os alunos para a escola e já está... Esqueceram-se que eles têm direito à sua formação, adaptada, muitas vezes, mas real. Não temos o direito de nos demitir dessa obrigação, não podemos "despejá-los" na escola assegurando-nos apenas que alguém "tome conta" deles (e às vezes nem esta condição está assegurada). Dois relatos, corajosamente denunciados pelos familiares. Mas há tantos outros e tão graves! Em A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote: http://educar.wordpress.com/2008/10/02/a-situacao-das-nee-certamente-mais-um-caso-isolado/#comments No blog ProfAvaliação de Ramiro Marques: http://www.profblog.org/2008/10/criana-deficiente-passa-grande-parte-do.html Se lerem os comentários deixados nesses blogs, nos referidos posts, encontram muitos outros (casos isolados)

sábado, 13 de setembro de 2008

Pais de alunos surdos reclamam apoio

Os pais das crianças que frequentavam a Unidade de Apoio à Educação de Alunos Surdos de Santarém (UAEAS) lamentam a forma como este serviço foi encerrado e reclamam a manutenção da linguagem gestual na formação dos seus filhos. Sílvia Fonseca, representante dos pais dos alunos da UAEAS, que funcionava há quatro anos na escola básica de primeiro ciclo de S. Domingos, disse à agência Lusa que foi com surpresa que soube, em Julho, que as sete crianças que frequentavam a unidade teriam de passar para a escola de referência de Riachos (Torres Novas), o que obrigaria algumas das crianças a deslocações de 160 quilómetros por dia. Informados, na sequência de uma pergunta da deputada Luísa Mesquita à ministra da Educação, de que não era obrigatória a frequência das escolas de referência, os pais decidiram manter os filhos na escola de S. Domingos, mas Sílvia Fonseca não se conforma com o "apoio mínimo" de que vão dispor. A escola tem duas salas equipadas para o trabalho com as crianças surdas e, nos últimos quatro anos, contou com o apoio especializado de duas professoras de educação especial, uma formadora de língua gestual e uma terapeuta da fala. A partir de segunda-feira, as cinco crianças que ainda frequentam o primeiro ciclo (duas transitaram para o segundo ciclo) vão ficar distribuídas em diferentes turmas e contarão com uma professora de apoio que correrá as várias salas. (...) Sílvia Fonseca lamenta que tenha sido invocada, como justificação para o não funcionamento de uma escola de referência em Santarém, a resposta dada pelos pais a um questionário que lhes foi enviado num dia à noite para entregar na manhã seguinte em que lhes era perguntado qual a primeira língua que pretendiam para os filhos, língua portuguesa ou língua gestual. "Ninguém nos deu nenhuma informação sobre as implicações dessa opção, mas mesmo assim anexámos uma carta em que, apesar de indicarmos a língua portuguesa como primeira língua, sublinhávamos a importância da continuação da formação em linguagem gestual", disse. "Foi uma rasteira que nos pregaram", considerou. Contudo, disse, os pais mantêm a esperança de que não se perca o trabalho realizado nos últimos anos, que considerou fundamental para o sucesso escolar que estas crianças têm demonstrado. http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=51&id=24230&idSeccao=479&Action=noticia

100 mil alunos sem apoio?

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garantiu hoje que o seu ministério tem todos os alunos com necessidades especiais sinalizados, considerando "absurdo" um estudo da Universidade do Minho, recentemente divulgado. O professor catedrático da Universidade do Minho, Miranda Correia, disse que mais de 100 mil alunos com necessidades especiais estão sem qualquer apoio pedagógico, situação que em muitos casos se transforma em "graves problemas de insucesso escolar". Miranda Correia, que coordena a Área de Educação Especial da Universidade do Minho, chega aquele número baseando-se no facto de não existirem estudos efectivos do número de crianças com necessidades especiais e do Ministério da Educação apresentar uma estimativa "muito abaixo de qualquer estudo internacional". Para o Ministério da Educação as crianças com necessidades especiais "rondam os 1,8 por cento". "É um número totalmente abaixo de qualquer estudo internacional", sustenta Miranda Correia que defende situarem-se entre os 8 e os 12 por cento os alunos que têm dificuldades de aprendizagem específicas. Para o especialista, aquela diferença representa que mais de 100 mil alunos estão fora das contabilidades e apoios do Ministério da Educação. "Entre 100 a 150 mil alunos com necessidades educativas especiais estão sem apoio", defende o catedrático para quem "metade diz respeito a dificuldades de aprendizagem específica, como a dislexia". Maria de Lurdes Rodrigues considerou que o estudo "não tem nenhuma relação com a realidade". "O ministério tem todos os alunos sinalizados, todos os alunos contabilizados", assegurou. A ministra quantificou em 55 mil os alunos que estão sinalizados e que precisam de necessidades especiais, de apoio especializado ou de apoio educativo. "É um absurdo estar-se a falar em 100 mil, é um número atirado para o ar", frisou a titular da pasta da Educação. Para Maria de Lurdes Rodrigues, tudo o que se diga hoje "é pura precipitação", uma vez que as aulas apenas começam agora. "Aquilo que nós sabemos é o esforço que o Ministério da Educação fez para responder melhor às necessidades dos alunos e das famílias", afirmou.Maria de Lurdes Rodrigues salientou a aposta na formação de pessoal auxiliar, sustentando que "700 funcionários estão em formação para apoiar" as equipas de ensino especial. A responsável salientou ainda que o seu ministério fez um "esforço enorme" na sinalização das crianças, "para não confundir um aluno surdo com um aluno que tem dificuldades de aprendizagem", por exemplo. http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342311&idCanal=58

Menos financiamentos para crianças e jovens NEE

As organizações que trabalham com crianças com necessidades educativas especiais criticaram hoje o financiamento atribuído pelo Ministério da Educação (ME), considerando que a "falta de verbas" pode pôr em causa os apoios prestados aos alunos. Com a reforma da educação especial, que prevê a integração de todas as crianças com deficiência no ensino regular até 2013, as escolas especializadas estão a transformar-se em centros de recursos, tendo apresentado este ano, pela primeira vez, projectos de apoio educativo que vão ser desenvolvidos em parceria com os estabelecimentos de ensino regulares. (...) "Tememos que [este financiamento] ponha em causa a qualidade do apoio prestado às crianças com necessidades educativas especiais", disse Rogério Cação, director da Federação Nacional das Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci). O responsável sublinhou que os projectos apresentados conjuntamente pelas organizações especializadas e pelos agrupamentos de escolas tiveram em conta o número de crianças com deficiência em cada estabelecimento de ensino e o tipo de ajuda de que cada uma necessita. "Ou o trabalho de levantamento das necessidades foi muito mal feito, o que não aconteceu, ou então há muitos apoios que terão de ficar para trás", advertiu Rogério Cação. Demarcando-se publicamente "das decisões tomadas pelo ME em matéria de apoios educativos", seis organizações que integram a comissão de acompanhamento, entre elas a Federação Portuguesa de Autismo e a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, pediram hoje à tutela uma reunião de urgência com o secretário de Estado da Educação. "O ME terá de assumir total responsabilidade pelos impactos que advierem deste financiamento", avisou o responsável da Fenacerci. A Lusa contactou o Ministério da Educação, não tendo obtido qualquer resposta até ao momento. Notícia completa: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342043

"Atraso" propositado...

A Confederação para a Deficiência Mental (CODEM), estrutura composta por representantes da Federação Portuguesa de Autismo, HUMANITAS, UNICRISANO e FENACERCI, manifesta-se apreensiva com a falta de resposta do Ministério da Educação sobre os apoios educativos para o ano lectivo 2008/2009. As candidaturas para obtenção de apoios educativos foram organizadas no passado mês de Abril, num trabalho de parceria entre as organizações que apoiam crianças com deficiência e os agrupamentos de escolas, tendo sido assumido pelo Ministério da Educação uma tomada de decisão no final do mês de Junho, situação que não aconteceu. Os membros da CODEM alertam para os riscos inerentes a este atraso, que vão causar problemas no arranque do novo ano lectivo, num contexto em que não são conhecidos os cortes feitos pelo Ministério da Educação, relativamente às candidaturas apresentadas. (...) a Federação Portuguesa de Autismo, a HUMANITAS, a UNICRISANO e a FENACERCI decidiram fazer chegar um protesto formal e manifestar preocupação junto da ministra da Educação, do secretário de Estado da Educação e do Director-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Sobre a CODEMA CODEM – Confederação para a Deficiência Mental é uma organização de âmbito nacional, que pretende funcionar como interlocutor privilegiado da administração central em matérias que tenham a ver com as pessoas com deficiência mental e família. Os membros da CODEM pretendem alargar o mais possível o debate à opinião pública, como forma de promoção e facilitação da inserção social e profissional das pessoas com deficiência mental. Integram a CODEM a Federação Portuguesa de Autismo, a HUMANITAS (Federação Portuguesa para a Deficiência Mental), UNICRISANO (União dos Centros de Recuperação Infantil do Distrito de Santarém) E FENACERCI (Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social). Notícia completa: (http://www.causas.net/index.php?option=com_content&task=view&id=295&Itemid=64)