quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Recomeçar

(logotipo da CERCIAV)

Recomecei o voluntariado na CERCIAV no dia 3 de Setembro. Já tinha saudades e foi muito bom voltar a estar com eles.

Apesar de ser apenas voluntária e de estar lá apenas umas horas por semana, habitualmente sinto-me como se fizesse parte da casa. Fazem-me sentir assim!

No início desta semana, durante 2 dias e meio, participei em várias sessões de formação na CERCIAV, juntamente com os funcionários/colaboradores. A participação na formação deu uma nova dimensão a este fazer parte da CERCIAV, sobretudo porque algumas sessões foram práticas e realizadas com dinâmicas de grupo, num verdadeiro espírito de equipa que procura evoluir.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Voluntariado

(Imagem daqui: appacdm-fundao.blogs.sapo.pt)
Há alguns anos surgiu a oportunidade de fazer voluntariado numa CERCI. Não me relacionava habitualmente com pessoas com deficiência. Conhecia algumas e estava com elas esporadicamente. Tinha curiosidade em conhecer um pouco melhor o mundo do ponto de vista de algumas pessoas com limitações diversas.
Além da curiosidade, havia também a consciência de que isso seria importante no meu trabalho como professora. Sem conhecer, por melhor que fossem as intenções, o mais certo era que errasse redondamente na minha prática lectiva com alguns alunos com necessidades educativas especiais.
Assim comecei a fazer voluntariado durante alguns meses (deixei quando consegui emprego e o tempo passou a ser escasso). Este ano lectivo voltei ao voluntariado (de Setembro a Julho) e pretendo continuar em Setembro e enquanto o meu horário o permitir.
Uma das primeiras coisas que me impressionou foi a valorização humana, tão contrária à valorização daquilo que cada um produz e não da pessoa em si. Desperdiçamos demasiados talentos por valorizarmos apenas uma parte de nós...
Cada dia de voluntariado (uma manhã por semana) foi uma aprendizagem. Vou descomplicando e descobrindo, em concreto na minha vida, o que é mais importante. Aprendo a redimensionar as coisas e a ter um olhar mais abrangente. Tudo se torna mais claro. Uma qualidade que eu valorizava mas achava que tinha perdido algures no tempo, retomou o seu lugar.
Vou tentando partilhar aqui no blog pequenas histórias e vivências desta experiência tão gratificante.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O dom da vida


(imagem do blog: porquenaotecala.blogspot.com)

Hoje é o meu 30º aniversário. Hoje é dia do Sagrado Coração de Jesus. Fui procurar uma frase do dia e encontrei esta:

"Há que aprender a viver com o sofrimento e a fazer dele uma força de crescimento. Aprender a tirar proveito do sofrimento, por pior que seja, não vou fingir, não vou iludir, vou aprender, vou crescer, vou ver aonde é que isto me leva. O sofrimento dá-nos uma grande compreensão de nós próprios, uma grande compreensão dos outros e uma grande abertura ao futuro. Claudel, como poeta criou uma imagem muito bonita: o sofrimento, simbolicamente, é como uma porta, porque é pelo sofrimento que podemos sair de nós próprios e pelo sofrimento que podemos deixar entrar o outro. A porta do amor, a porta da alegria!"

Pe. Vasco Pinto de Magalhães, sj


A primeira reacção foi mais ou menos assim: tinha que ser logo sobre sofrimento? Fugir, iludir, esconder é aquilo que dá vontade de fazer face ao sofrimento. Também há a tentação de pensar que isto é conversa de padres, que parece que temos que sofrer muito para "merecer o Céu". Nada mais errado! Trata-se simplesmente de uma atitude muito inteligente. Não é uma questão de procurar o sofrimento ou de o provocar, mas de saber viver com aquele que naturalmente surge no sosso caminho. Quantas vezes uma coisa de nada se transforma num grande problema só porque não me apetecia nada ter que resolver aquilo? Lamentar não serve de nada. Que tal olhar de frente? Encarar o que dói ou aquilo que agrada um bocadinho menos (não se trata apenas dos grandes sofrimentos e dos grandes problemas) faz realmente descobrir muita coisa em nós.

Às vezes têm que ser as coisas menos boas a sacudir-nos a acordar-nos de um estado de apatia ou de instalação. A vida corre e nós corremos, vamos andando, mas esquecemo-nos de viver.

Obrigada pelo dom da vida!

Obrigada por mais este ano!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Para pais e professores/educadores

O que queremos para os nossos filhos: http://www.overstream.net/view.php?oid=l6ssere6l3uj O vídeo acima referido foi-me enviado por mail. Trata-se de uma mensagem muito rica sobre educação. Gostei de ver e ouvir. Author comments: This video, produced by Heidi Hass Gable, posted in her blog http://www.iwasthinking.ca/2008/09/19/what-i-want-for-my-children/, was subtitled into portuguese language, due to the importance of the message to all parents, teachers and governments."My hope is that it will move you, it will motivate you,it will make you think and it will inspire you to get involved in your child’s education,to support your teachers and to be part of creating great schools!" (Heidi)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Criança sem terapia da fala há três meses

NÍDIA FERREIRA E ANA TAVARES Um menino da Escola Básica do 1.º Ciclo do Bom Sucesso, no Porto, está sem aulas de terapia da fala desde o início do ano lectivo. A mãe pede soluções à escola e à DREN, que diz que o caso, comparado com outros, não é prioritário. Uma criança de dez anos, portadora de uma síndroma genética com grave atraso do desenvolvimento psicomotor, frequentava desde 2006, na Escola Básica do 1.º Ciclo do Bom Sucesso, no Porto, aulas de terapia da fala e de ensino especial. A frequência do apoio individualizado de ensino e de terapia da fala tinha sido aconselhada quer pela psicóloga quer pelo pediatra que acompanham o menino. No relatório de avaliação médica de Setembro de 2007, pode ler-se que foi constatado, após o primeiro ano, "um franco progresso em várias vertentes do de-senvolvimento psicomotor e comportamental, o que favorece a integração social", sendo recomendado pelo pediatra no relatório de 2008 "um apoio acrescido de terapia da fala". A mãe, Manuela Moutinho, conta como sentiu melhorias na aprendizagem do filho. "Tinha dificuldades em articular as palavras. No ano passado aprendeu a ler e a escrever ", confirma. Contudo, no início do ano lectivo, a criança, que continuou a frequentar o ensino especial, não foi integrada nas aulas de terapia da fala. "O coordenador da Escola do Bom Sucesso diz que não pode fazer nada porque não tem mais terapeutas. Já ando desde o início deste ano lectivo entre a DREN e o agrupamento de escolas e não vejo solução para o meu filho", lamenta. "Já pedi para mudarem o horário para inscrevê-lo em aulas privadas, mas não me deram permissão. Também não quero mudar de escola porque aqui já se adaptou, já tem amigos", explicou. Contactada pelo JN, a coordenadora do Ensino Especial da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), Conceição Menino, afirma ter conhecimento do caso. "Temos duas unidades que dão apoio ao ensino especial e terapia da fala: a de apoio à multideficiência e a de autismo. O que se passa é que quando este aluno foi integrado na nossa Unidade de Apoio ao Autismo, naquela escola, havia disponibilidade de terapeutas e, por isso, foi possível incluí-lo a título excepcional", explicou a responsável. "Este ano tivemos nessa unidade, que abrange outras escolas, mais alunos a precisaram de mais horas semanais. Como o aluno não é autista, não possui multideficiência nem surdez, não foi possível incluí-lo, porque a terapeuta já tem todo o horário preenchido", acrescentou. Jornal de Notícias (2008-12-09) http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1055860 Se este caso, comparado com outros não é prioritário, a situação do ensino especial é grave pois a escola está longe de ser inclusiva. Teve direito a terapia da fala a título excepcional? Não é autista, não possui multideficiência nem surdez, por isso não tem direito a terapia da fala? Não me espanta mesmo nada que que esta senhora e outros responsáveis assim pensem. Na legislação mais recente sobre ensino especial, percebia-se bem o que se entendia por "escola inclusiva"... O que me espanta é que se assuma publicamente esta posição. As crianças e os jovens não têm direito a educação e formação integral, mesmo que tal implique diferenciação de práticas? Mas tenho que reconhecer que infelizmente, comparado com outros, este caso não é dos "piores". O que é mais grave aida, não se trata de um caso isolado, de uma falha pontual, mas de um desinvestimento na formação de crianças e jovens com necessidades eductivas especiais.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hino à classe docente (João Vasconcelos)

HINO À CLASSE DOCENTE: «VAMOS À LUTA AMIGOS, VAMOS!» I Vamos à luta amigos, vamos, Não podemos ignorar! Ó Ministra aqui estamos Contra ti, vamos lutar! II Um novo Estatuto queremos, E uma nova avaliação! Este governo não tememos, Pois despreza a Educação! III Sempre avante, classe docente, Vós sabeis que temos razão! Somos uma força valente, E fazemos parte da Nação! IV Todos somos Professores, Neste imenso Portugal! Também somos Educadores, Não nos façam tanto mal! V Queremos ser avaliados, De forma justa e pedagógica! Estamos tão arreliados, Esta avaliação não tem lógica! VI Em Março fomos 100 mil, Não nos quiseram ouvir! Em Novembro 120 mil, Marchámos a cantar e a rir! VII Força, força, minha gente, Não podemos abrandar! Temos o poder duma torrente, E não queremos simplificar! VIII O Simplex é mistificação, Para os incautos enganar! Só nos querem ter à mão, Para assim nos tramar! IX Este governo não é de confiança, Para a Ministra basta olhar! Todos nós, temos esperança, Jamais podemos parar! X No dia 3 de Dezembro, Iremos ficar na História! Como no 8 de Novembro, A caminho da Vitória! XI Faremos greve a 100 por cento, Em todas as escolas do país! Em sentido, classe docente, Não nos vergam a cerviz! XII Avaliação – Suspender, É a palavra de ordem! Todos temos de defender, Para terminar a desordem! XIII Esta equipa ministerial, Já não tem condições! Vem com um ar doutoral, Pregar os seus sermões! XIV Julgam que nos vêm enganar, E provocar o nosso desânimo! Continuemos a lutar, E redobremos mas é de ânimo! XV Vamos à luta, amigos, vamos, Não podemos ignorar! Ó Ministra, aqui estamos, Contra ti, vamos lutar! João Vasconcelos Nota: passar este “Hino à Classe Docente” a todos os contactos e blogues.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Parabéns CERCIAV

Aveiro: CERCIAV assinala 33.º aniversário com casa nova Hoje, a CERCIAV - Cooperativa para a Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados de Aveiro vive um dia de festa, com os mais de 300 utentes a celebrar o 33.º aniversário da instituição. Há 33 anos que existe em Aveiro uma estrutura inteiramente dedicada à educação e formação de cidadãos portadores de deficiência. Um longo caminho de lutas e vitórias, em nome da promoção destas pessoas. “Actualmente seguimos uma filosofia de actuação muito em prol da promoção do ser pessoa. Temos que olhar para os nossos formandos e trabalhadores ocupacionais com a dignidade que merecem, tal qual um cidadão, com os mesmos direitos e deveres”, comentou Fernando Vieira, há 12 anos à frente da direcção da CERCIAV - Cooperativa para a Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados de Aveiro, embora esteja ligado à instituição desde o seu surgimento. Ao celebrar 25 anos de vida, esta instituição “sofreu” uma alteração profunda na forma de acompanhar os seus alunos, que passaram a frequentar a escola no regime normal. “Foram para a escola, como qualquer criança, para aprender, descobrir, fazer amizades, no fundo, crescerem como pessoas”, diz Fernando Vieira, defendendo que este “é o melhor caminho a seguir, se quisermos uma escola e uma sociedade inclusiva, onde a diferença se esbata”. Estas crianças e jovens frequentam a escola pública e contam com o apoio de técnicos da CERCIAV que se deslocam aos estabelecimentos de ensino para prestar apoio ao nível da psicologia, terapia da fala, serviço social e psicomotricidade. A propósito, Fernando Vieira recorda a Declaração de Salamanca, que demanda que todos os governos “atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais” Após os 15 anos de idade, os alunos que tiverem mais capacidades entram na formação profissional adaptada, no Centro de Reabilitação Profissional na Gafanha da Nazaré. Quanto às pessoas com deficiência mental profunda e multideficiência, integram o Centro de Actividades Ocupacionais (também na Gafanha da Nazaré), onde é promovida a autonomia básica. E é neste ponto que Fernando Valente destaca a “maior vitória conseguida ao longo dos 33 anos de vida da instituição: “a promoção da cidadania de pessoas com deficiência grave e profunda”. Foi junto desta população tão especial, que este responsável acredita que se deu um “passo de gigante”, criticando a tendência que há de se infantilizar estas pessoas. “Passámos a valorizar os seus sonhos e as suas potencialidades, por pequeninas que sejam, e o resultado está à vista: dos 98 trabalhadores ocupacionais que temos, 30 estão lá fora a fazer diferentes tarefas, integrados no meio normal de trabalho e a concretizar a sua verdadeira cidadania”. A propósito, deu um exemplo. “Um dia, uma utente disse que tinha um sonho: ser enfermeira. A reacção normal seria desvalorizar, até porque seria impossível de concretizar. Mas, perguntámos-lhe o que era, para ela, ser enfermeira, ao que respondeu: é ter uma bata branca, estar num sítio com doentes e ajudar. Há vários anos que está a ‘trabalhar’ no Centro de Saúde de Oliveira de Frades e sente-se uma verdadeira enfermeira”, relata. Quanto ao futuro, há dois sonhos por realizar. Uma Unidade Residencial, “até porque todos nós queremos, um dia, sair de casa e tornarmo-nos autónomos”, e um terceiro Centro de Actividades Ocupacionais. Um projecto que Fernando Vieira classifica de urgente, sob pena de “dentro de anos não termos capacidade de resposta para quem nos procura”. Novo Centro de Recursos para a Inclusão A festa que hoje junta utentes, técnicos e funcionários, vai ficar marcada pela entrega de medalhas a quem tem 30 anos de casa e um galardão àqueles que ali estão há 25. Uma forma de dar alguma solenidade ao momento, também de promover o espírito familiar que a direcção se esforça por fomentar. Na segunda-feira será inaugurada a nova sede da CERCIAV, em São Bernardo. Um espaço que substitui a antiga sede ao lado do Hospital de Aveiro e que vai funcionar também como Centro de Recursos para a Inclusão. Depois de vários anos de espera e de locais que não vingaram, a CERCI passa a dispor de um espaço aberto a todos os professores que procurem informação específica. Livros, ludoteca, computadores com programas educativos podem agora ser consultados neste Centro, que também pode vir a promover acções de formação. Sandra Simões (Diário de Aveiro 14 de Novembro 2008)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais uma etapa...

Já há algum tempo que não actualizava o blog. Fiz uma "pausa" para evitar que o excesso de preocupações relacionadas com o ensino continuassem a reduzir, de forma tão significativa, a minha dedicação a outras coisas importantes. Mas é claro que me mantive informada... Embora me tenha custado, optei por não ir à manifestação do dia 8, pois tive de entregar a dissertação de mestrado ontem. Bem sei que podia ter organizado o trabalho de forma a poder dispensar um dia. Mas a verdade é que não consigo digerir todas estas mudanças e isso tem prejudicado imenso o meu trabalho, tal já tinha acontecido noutras fases difíceis (Fevereiro/Março). O motivo que me levou a inscrever-me no mestrado foi UNICAMENTE a possibilidade de encontrar alternativas profissionais ao ensino. Felizmente valeu bem a pena frequentar o mestrado, gostei do tema do meu trabalho e tive (tenho) dois orientadores muito bons. Não estou colocada porque considero um erro continuar a insistir em apostar (apenas) na carreira de professor (pena é que esta decisão tenha vindo depois de tanto investimento...). Foi uma decisão reflectida e assumida, mas não foi tomada de ânimo leve e ainda não é "pacífica" para mim, pois não me enganei quando decidi ser professora... Apesar de pensar seriamente em abandonar a profissão, com muita pena e até saudade, tenho conhecimento do que está a acontecer. Como a educação é algo muito importante, não pretendo de forma alguma "retirar-me" de cena. Curiosamente, a palavra "colega" tornou-se especial nos últimos tempos. Obrigada COLEGAS! Dia 15 lá estarei.